Você saiu da consulta com uma frase que muda a conversa: “o seu desvio de septo tem indicação de cirurgia”. A partir daí, a dúvida deixa de ser “preciso operar?” e passa a ser “com quem?”. Em São Paulo há muitos otorrinolaringologistas, e a decisão costuma ser tomada com base em indicação de um amigo, em avaliações na internet ou no primeiro nome que apareceu na busca. Nenhum desses caminhos é errado, mas todos ficam melhores quando o paciente sabe o que verificar.
Este artigo reúne os critérios que um paciente consegue checar sozinho antes e durante a consulta. Ele não diz quem é o cirurgião certo para você. Diz como reconhecer um bom planejamento cirúrgico e quais perguntas levar.
Comece pelo que é verificável: CRM e RQE
Todo médico tem um número de CRM. Nem todo médico tem RQE, o Registro de Qualificação de Especialista. O RQE é o registro que o Conselho Regional de Medicina concede a quem comprovou residência médica reconhecida pelo MEC ou título de especialista pela sociedade da área, que em otorrinolaringologia é a ABORL-CCF, a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial.
Isso importa porque a lei permite que qualquer médico realize qualquer procedimento, mas só permite que se apresente como especialista quem tem o RQE correspondente. A consulta é pública e gratuita no portal do Conselho Federal de Medicina. Procure pelo nome, confira o CRM e veja se há RQE em otorrinolaringologia. Leva dois minutos e elimina a dúvida mais básica.
Pergunte qual é o foco da prática
A otorrinolaringologia cobre ouvido, nariz, garganta e estruturas da face. A septoplastia faz parte da formação de todo otorrinolaringologista, mas a maioria dos colegas, com o tempo, concentra a rotina em uma ou duas áreas. Há otorrinos dedicados a ouvido e audição, outros a voz e laringe, outros a nariz e seios da face.
Para uma cirurgia nasal, a pergunta direta é legítima: “qual parte da sua rotina é cirurgia de nariz?”. Outra pergunta útil é se o médico realiza cirurgia endoscópica dos seios da face, porque o desvio de septo frequentemente vem acompanhado de aumento dos cornetos ou de sinusite, e o cirurgião que domina o nariz por dentro planeja o conjunto em um único tempo cirúrgico.
Formação complementar em rinologia, como fellowship em cirurgia endoscópica nasossinusal, e participação em sociedades da área são informações que o médico costuma deixar públicas no site ou no currículo Lattes. Não são obrigatórias, mas indicam para onde o profissional direcionou a carreira.
Observe como a consulta é conduzida
O diagnóstico do desvio de septo é clínico. Começa pela história, com perguntas sobre de que lado o nariz entope, se piora deitado, se há ronco, sinusites de repetição ou sangramentos, e continua pelo exame. A endoscopia nasal, feita com uma fibra fina na própria consulta, permite ver o septo, os cornetos e a entrada dos seios da face. É ela que separa o desvio que obstrui do desvio que apenas existe.
Quando a cirurgia entra em consideração, a tomografia dos seios da face complementa a endoscopia. Ela mostra a anatomia completa do septo, dos cornetos e dos seios, identifica sinusite ou outras alterações que a endoscopia não alcança e orienta o planejamento do que será corrigido em um único tempo cirúrgico. Por isso é um exame pedido de rotina na avaliação cirúrgica do nariz. O que pede atenção é a ordem inversa: indicar cirurgia com base apenas no laudo da tomografia, sem examinar o interior do nariz e sem conversar sobre os sintomas. Desvio de septo em exame de imagem é achado comum em pessoas que respiram bem, e é o conjunto de sintomas, exame e imagem que define a indicação.
Tratamento clínico e cirurgia: como as duas coisas se encaixam
Grande parte da obstrução nasal tem componente de rinite e de aumento dos cornetos, a chamada carne esponjosa. Esses componentes respondem a tratamento clínico, com lavagem nasal e medicação, e por isso o tratamento costuma fazer parte da avaliação: ele mostra quanto da obstrução é inflamatório e quanto é estrutural.
Melhorar com remédio, porém, não descarta a cirurgia. Quando o desvio é a causa estrutural dos sintomas, muitos pacientes preferem operar para resolver a obstrução de forma definitiva, em vez de depender de medicação contínua para respirar. Essa é uma decisão compartilhada entre médico e paciente, e um bom cirurgião apresenta as duas possibilidades com clareza, sem empurrar para nenhum dos lados.
O que um bom planejamento faz é explicar em voz alta o que a cirurgia vai resolver no seu caso, o que ela não vai resolver e o que pode continuar precisando de cuidado depois. Quem promete que “nunca mais vai entupir” ou que a cirurgia “cura a rinite” está prometendo o que a septoplastia não faz. A septoplastia corrige a estrutura; a mucosa continua reagindo a alergia, poluição e clima como antes, só que em um nariz com espaço para respirar, o que em geral reduz muito a necessidade de medicação.
Entenda a técnica proposta
Algumas perguntas sobre a técnica ajudam a comparar propostas:
- Os cornetos entram na cirurgia? Quando há aumento dos cornetos associado, a correção costuma ser feita no mesmo procedimento, sob a mesma anestesia. Se não entram, vale saber por quê.
- Vai usar tampão nasal? Técnicas atuais permitem dispensar o tampão na maioria dos casos. A retirada do tampão era um dos momentos mais temidos do pós-operatório.
- A cirurgia muda o formato do nariz? A septoplastia é funcional e preserva o formato externo. Mudança estética é rinoplastia, outro procedimento, que pode ou não ser combinado conforme avaliação. Se o seu objetivo é respirar, o plano deve falar de respiração.
- Como é a anestesia e a alta? A anestesia é sempre geral em centro cirúrgico, com alta no mesmo dia, em geral algumas horas após o procedimento.
Você não precisa dominar os termos. Precisa perceber se o médico responde com clareza e se as respostas combinam entre si. Para saber mais sobre o procedimento em si, veja Cirurgia de desvio de septo: quando é indicada e como funciona.
Pergunte onde a cirurgia será feita
O hospital é definido junto com o paciente entre as instituições em que o cirurgião atua. Vale confirmar três pontos: se o médico opera ali com regularidade, se a equipe de anestesia é a habitual dele e qual o suporte do hospital para intercorrências, mesmo que raras. A septoplastia é cirurgia de hospital-dia, mas a estrutura ao redor é parte da segurança.
Em São Paulo, muitos cirurgiões têm vínculo com mais de um hospital, o que permite escolher pela conveniência do paciente, pela cobertura do plano no caso de reembolso ou pela preferência da família. Pergunte pelas opções em vez de aceitar a primeira.
Saiba como será o depois
O pós-operatório diz muito sobre o cirurgião. Antes de marcar, você deveria sair da consulta sabendo:
- quantos dias de afastamento o seu caso pede, em geral 2 dias para trabalho remoto e 5 para presencial;
- por quanto tempo ficam suspensos esforço físico e sol prolongado, em geral 30 dias, pelo risco de sangramento;
- o que é normal nos primeiros dias, como pequena saída de sangue e nariz obstruído por crostas por cerca de 2 semanas;
- quais cuidados fazem diferença, como não assoar o nariz e lavar com soro várias vezes ao dia;
- quando é o primeiro retorno, em geral dentro de 1 semana, e como falar com a equipe se algo fugir do esperado.
Um cirurgião que entrega essas orientações por escrito e explica o canal de contato está dizendo que o acompanhamento faz parte do tratamento, não um extra.
Leia as avaliações com critério
Avaliações de pacientes no Google e em plataformas de agendamento são úteis, desde que lidas com atenção ao conteúdo e não apenas à nota. Procure relatos que falem da consulta em si: se o médico examinou, se explicou, se o pós-operatório teve acompanhamento. Volume e consistência ao longo do tempo pesam mais do que uma nota isolada. Lembre que a avaliação descreve a experiência de outra pessoa, com outro nariz e outro quadro, e não antecipa o seu resultado.
Orçamento: transparência antes de valor
No atendimento particular, o paciente recebe recibo da consulta e da cirurgia e pode pedir reembolso ao plano de saúde, conforme as regras do seu contrato. O que importa na conversa não é o número, é a clareza: o que está incluído, qual a equipe, quais os honorários do anestesista e do hospital, e o que fica de fora. Um orçamento fechado antes de qualquer exame não é um bom sinal, porque a extensão da cirurgia depende do que a avaliação encontrar.
Sinais que pedem uma segunda conversa
- Indicação de cirurgia sem exame do interior do nariz.
- Promessa de resultado garantido ou de “cura” da rinite.
- Pressa para marcar, com argumento de agenda ou de oportunidade.
- Pacote com preço definido antes da avaliação.
- Recusa em responder sobre formação, RQE ou hospitais.
- Desconforto com a ideia de segunda opinião.
A septoplastia é uma cirurgia eletiva. Ela existe para melhorar a qualidade de vida, e por isso pode ser decidida sem pressa. Pedir uma segunda opinião é um direito do paciente e não costuma incomodar quem está seguro do próprio plano.
Perguntas para levar à consulta
- Qual é o seu RQE e onde fez a residência em otorrinolaringologia?
- Que parcela da sua prática é cirurgia nasal?
- O que você viu na endoscopia e na tomografia que indica a cirurgia no meu caso?
- O que a cirurgia resolve e o que não resolve para mim? Se eu melhorar com remédio, ainda vale operar?
- Os cornetos entram? Vai usar tampão?
- Em quais hospitais você opera e qual sugere para o meu caso?
- Como é o pós-operatório, o retorno e o contato com a equipe?
- O que está incluído no planejamento e como funciona o recibo para reembolso?
Como é a avaliação no consultório do Dr. Luiz Castanheira
Para quem está pesquisando em São Paulo, vale registrar como esses critérios funcionam aqui. O Dr. Luiz Vicente Rizzo Castanheira é otorrinolaringologista com CRM-SP 136026 e RQE 37087, residência médica no Hospital Paulista e título de especialista pela ABORL-CCF. Fez fellowship em cirurgia endoscópica nasossinusal e da base do crânio no A.C. Camargo Cancer Center e estágio de observação na University of Pittsburgh Medical Center, nos Estados Unidos. É membro da ABORL-CCF e da American Rhinologic Society, e a prática é concentrada em cirurgia nasal e dos seios da face, incluindo septoplastia, turbinectomia e cirurgia endoscópica da sinusite.
A consulta inclui a endoscopia nasal na hora e, quando a cirurgia entra em avaliação, a tomografia dos seios da face é solicitada de rotina para o estudo anatômico e o planejamento. O tratamento clínico faz parte da avaliação sempre que há componente de rinite ou de cornetos, e a opção pela cirurgia, para resolver a obstrução sem depender de medicação, é discutida com o paciente. Quando a cirurgia é indicada, o plano é explicado com o que resolve e o que não resolve, a técnica dispensa tampão na maioria dos casos e as orientações de pós-operatório são entregues por escrito, com retorno marcado para a primeira semana. As cirurgias são realizadas em hospitais de São Paulo com os quais o Dr. Luiz tem vínculo, listados na página de hospitais, e o hospital é definido com o paciente. O atendimento é particular, com recibo para reembolso, nas unidades de Vila Nova Conceição e Higienópolis. Quem mora fora de São Paulo pode começar a avaliação por teleconsulta, com os exames já realizados.
Se a sua dúvida ainda é se o seu desvio precisa mesmo de cirurgia, comece pela página sobre desvio do septo nasal. Se a indicação já existe e você está escolhendo com quem operar, leve as perguntas acima para a consulta, aqui ou em qualquer outro consultório.
Quer se aprofundar? Veja o guia completo sobre Desvio do Septo Nasal — causas, tratamento cirúrgico, mitos e verdades.
Perguntas Frequentes
Como saber se o médico é mesmo especialista em otorrinolaringologia?
Pelo RQE, o Registro de Qualificação de Especialista. Ele é emitido pelo Conselho Regional de Medicina depois que o médico comprova residência médica reconhecida ou título de especialista da sociedade da área, no caso a ABORL-CCF. O RQE pode ser consultado gratuitamente no portal do CFM, junto com o CRM. Médico sem RQE em otorrinolaringologia não pode se apresentar como otorrinolaringologista.
Qualquer otorrino opera desvio de septo?
A septoplastia faz parte da formação de todo otorrinolaringologista. Mas a especialidade é ampla, cobre ouvido, garganta, nariz e face, e muitos colegas concentram a prática em uma dessas áreas. Para uma cirurgia nasal, vale perguntar qual a parcela da rotina do médico é dedicada a nariz e seios da face e com que frequência ele realiza o procedimento proposto.
Preciso fazer tomografia antes de decidir pela cirurgia?
Quando a cirurgia está em avaliação, sim. O diagnóstico do desvio de septo é clínico e confirmado pela endoscopia nasal, feita na própria consulta. A tomografia dos seios da face complementa essa avaliação: mostra a anatomia completa do nariz e dos seios, identifica sinusite ou outras alterações associadas e orienta o planejamento do que será corrigido. Por isso costuma ser pedida de rotina na avaliação cirúrgica. O que merece atenção é o contrário: indicar cirurgia apenas pelo laudo do exame, sem examinar o nariz e sem conversar sobre os sintomas.
O cirurgião deve tentar tratamento sem cirurgia antes?
Em geral o tratamento clínico faz parte da avaliação, porque grande parte da obstrução nasal tem componente de rinite e de aumento dos cornetos, que respondem a lavagem nasal e medicação. Mas a melhora com remédio não descarta a cirurgia. Quando o desvio é a causa estrutural dos sintomas, muitos pacientes preferem operar para resolver a obstrução de forma definitiva, sem depender de medicação contínua. A decisão é compartilhada, e um bom sinal é o médico explicar o que a cirurgia resolve e o que ela não resolve no seu caso.
Em que hospital a cirurgia deve ser feita?
O hospital é definido junto com o paciente entre aqueles em que o cirurgião tem vínculo e atua regularmente. Vale confirmar se o médico opera na instituição com frequência, se a equipe de anestesia é habitual e qual o suporte para eventuais intercorrências. A septoplastia é feita em regime de hospital-dia, com alta no mesmo dia, mas a estrutura do hospital faz diferença na segurança.
Vale pedir uma segunda opinião antes de operar o septo?
Sim, e isso não ofende um bom profissional. A septoplastia é uma cirurgia eletiva, feita para melhorar qualidade de vida, e a decisão pode ser tomada com calma. Leve os exames e o plano proposto e compare o raciocínio: a indicação, a técnica, a inclusão ou não dos cornetos e as expectativas devem ser parecidas entre dois especialistas que examinaram o mesmo nariz.
Como funciona o custo quando o atendimento é particular?
O paciente recebe recibo da consulta e da cirurgia e pode solicitar reembolso ao seu plano de saúde, conforme as regras do contrato. O planejamento completo, com hospital, equipe e o que está incluído, é definido na consulta, depois da avaliação. Desconfie de valores fechados antes de qualquer exame.